A segunda ninhada da Anita com o Flash

A segunda ninhada da Anita com o Flash nasceu no dia 9 de setembro.
Tem 9 cachorrinhos, 7 machos e duas fêmeas.
5 machos tigrados e 2 camurças.
2 fêmeas tigradas.
Foram para os seguintes donos:
Fotos da ninhada com 6 semanas

A primeira ninhada da Anita com o Edu

A primeira ninhada da Anita nasceu no dia 4 de dezembro de 2012.
Teve 3 cachorrinhos, duas fêmeas e 1 macho.
Já tem as seguintes reservas:

A Anita prenha

O bilhete de Identidade da Anita

Data de nascimento: 16-05-2011
Nome da mãe: Bia
Nome do Pai: Joca

A Bia, mãe da Anita

O Joca, pai da Anita



A história do Boxer

A história do Boxer…

Contrariamente a algumas ideias preconcebidas, o Boxer não é um cão cuja história se perca na noite dos tempos. Todos os peritos são unânimes em afirmar que a selecção do Boxer se iniciou oficialmente na Alemanha em meados do séculos XIX, a partir de cruzamentos entre diferentes tipos de cães importados ou locais, nomeadamente o pequeno Büllenbeisser (raça actualmente extinta: literalmente cão que morde os touros), reputado pela sua inteligência e capacidade de aprendizagem, e o Buldogue inglês ou Bulldog.

O ano de 1895 é assinalado pela fundação do Boxer Klub em Munique, cidade onde decorre também a primeira exposição “Especial Boxer”. O standard foi fixado cerca de 10 anos mais tarde com a criação do livro genealógico da raça (zuchtbuch). « Mühlbauer's Flocki » foi o primeiro Boxer registado em 1904 nesse livro de origens. Como curiosidade, a cadela Alt Flora’s II importada de França, participou na fixação das características da raça.

De entre os criadores apaixonados que influenciaram o futuro da raça, deve citar-se a Sra. Friederun Stockman que produziu exemplares de destaque durante a primeira metade do século XX sob o afixo Von Dom. Na sua obra referência “A minha vida com os Boxers”, a autora afirma : “o Boxer é um “gentleman” entre os cães de pêlo curto. Não só requer a melhor alimentação como prefere ser educado por um dono civilizado”.

A etimologia do termo Boxer permanece controversa. Tratar-se-á de uma palavra derivada do inglês em referência ao seu comportamento lutador e à sua disponibilidade imediata para o combate? Outros referem os hábitos deste cão que, quando brinca, utiliza as patas como se se tratassem de «ganchos» .

O Boxer da ponta das patas...à ponta do focinho

Ao longo dos anos o Boxer evoluiu consideravelmente. É o país de origem que impõe os critérios de selecção. Quando a Alemanha proibiu a criação de Boxers negros, os criadores foram obrigados a respeitar esta norma. De igual modo aquando da proibição do corte das orelhas e da cauda, o standard sofreu modificações e os critérios de apreciação do cão em exposições mudaram : nos países escandinavos, Alemanha, Suíça e Holanda, os cães «completos» (com orelhas pendentes e cauda longa) passaram a ser a regra. Outros países, como a França, têm acompanhado este movimento onde as orelhas seccionadas passaram a ser interditas desde Maio de 2004. O modelo de Boxer que conhecemos hoje em dia poderá variar ainda devido ao trabalho dos criadores que incessantemente procuram aperfeiçoar e esculpir as características desta raça.

Aspecto geral

O Boxer é um cão de tamanho médio, de pêlo curto e aspecto robusto, estrutura quadrada e estrutura óssea forte. A musculatura é seca e muito desenvolvida. Peito alto e caixa torácica arredondada.

A cabeça

É a cabeça que confere ao Boxer o seu aspecto característico. Deve ser proporcional às dimensões do corpo, nem demasiado ligeira nem excessivamente pesada. O focinho deve ser tão largo e poderoso quanto possível. Qualquer que seja o ângulo em que se examine a cabeça, o focinho deverá permanecer proporcional à caixa craniana, ou seja nunca parecer demasiado pequeno.

A pelagem

O Boxer possui um pêlo raso, duro, brilhante e cerrado. Actualmente, são reconhecidas duas variedades: fulva e raiada. Os matizes da pelagem fulva podem ir desde o amarelo claro até ao vermelho veado escuro. A máscara é negra. A variedade raiada apresenta riscas escuras ou negras, no sentido das costelas, sobre fundo que pode abranger todas as tonalidades do fulvo. Em princípio são admitidas marcas brancas; são muito apreciadas pelos americanos.

O Boxer branco, que representa aproximadamente 10% dos nascimentos, deixou de ser reconhecido em termos de criação a partir de 1925, enquanto que no início do século era omnipresente. Hoje em dia, 2/3 do corpo do cão devem ser ou fulvo ou raiado. Qual o motivo da rejeição do Boxer branco muito embora não se trate de um cão albino? Durante as duas guerras mundiais os Boxers foram utilizados pelo exército. Por consequência os Boxers brancos, demasiadamente visíveis à noite, eram postos de parte. Paralelamente, os responsáveis pela evolução da raça proibiram um número superior a 6 cachorros por ninhada. Durante a selecção dos cachorros a conservar, os cachorros brancos foram deliberadamente rejeitados por não se adequarem à finalidade a que se destinavam. O Boxer branco evidencia uma maior frequência de surdez congénita.

Tamanho e peso

Machos: de 57 a 63 cm e 30 - 32 kg
Fêmeas: de 53 a 59 cm e 25 - 27 kg

Para além das suas qualidades físicas indiscutíveis, o Boxer é em primeiro lugar um companheiro com carácter, tal como o destacam os responsáveis pela sua selecção: “O carácter do Boxer tem a máxima importância e deve merecer cuidados especiais…”. O standard especifica quanto a este tema: “O Boxer deve ter nervos sólidos, ser seguro de si, calmo e equilibrado”.

Boxer: um cão possante e atlético

Ainda que a sua altura até ao garrote seja média (53 a 59 cm para as fêmeas, 57 a 63 cm para os machos), o peso desta raça classifica-a na categoria dos cães de raças grandes. É a proporção tamanho/altura que lhe confere um porte robusto.
Possui um esqueleto muito sólido. Devido ao seu temperamento o Boxer é um cão tónico, sempre activo. O seu carácter directo e exuberante é cativante mas a sua energia transbordante deve ser canalizada pelo dono. O Boxer precisa de muito exercício. Adapta-se sem dificuldade às actividades que requerem tanto força como resistência: Ring, concursos RCI, pistagem…
É também um bom cão de guarda que dificilmente se deixa intimidar.

O Boxer possui uma proporção superior de massa magra do que os outros cães de grande porte, circunstância que explica a sua musculatura bem desenvolvida. Esta composição corporal influencia determinados parâmetros biológicos : a creatinina produzida de forma constante pelos músculos apresenta um teor fisiológico duas vezes maior no Boxer do que no Beagle (Lefebvre & Watson 2002).

O Boxer é fundamentalmente um cão dinâmico. Esta imagem de cão desportivo não é imerecida: tanto do ponto de vista anatómico como psicológico, o Boxer está adaptado ao exercício físico.

Trata-se de um cão atlético : a imagem de vitalidade que suscita prende-se com a sua musculatura seca e muito desenvolvida comparativamente às outras raças de grande porte. Esta constituição física é destacada pelo pêlo curto. A silhueta esbelta do Boxer não tolera os excessos de reservas adiposas e aliás, não tem muita tendência para o excesso de peso.

Devido à sua grande actividade espontânea (saltos, corridas…) as articulações do Boxer são submetidas a esforços intensos. Sofrendo pressões mecânicas consideráveis, por vezes são vítimas de lesões sobretudo em caso de sobrealimentação durante o crescimento. Um estudo realizado em mais de 300 000 cães jovens em 10 escolas veterinárias americanas entre 1986 e 1995 (Lafond & coll, 2002), mencionou as afecções diagnosticadas com maior frequência nesta raça.

- A panosteíte: inflamação generalizada dos ossos longos, que surge espontaneamente e que induz a claudicações de um ou de diversos membros. A doença desaparece quando o cão atinge os 18 a 20 meses.

- A osteocondrose do ombro e do cotovelo: é uma perturbação da ossificação das cartilagens de crescimento do cachorro. Os sintomas manifestam-se geralmente entre os 4 e os 10 meses (Asimus, 2002).

- A não união do processo ancóneo: tipo específico de displasia do cotovelo (Meyer- Lindenberg & coll, 2002).

Comparação entre a actividade espontânea do Boxer e do Buldogue


PRESERVAR O TÓNUS MUSCULAR E PROTEGER AS ARTICULAÇÕES

Robusto, o Boxer requer uma abordagem nutricional que tenha em consideração o seu carácter muito activo.

1º Objectivo: Fornecer calorias suficientes para compensar o gasto energético

Mesmo com um peso idêntico, as matérias gordas ou lípidos proporcionam 2,25 vezes mais energia que os glúcidos ou as proteínas.

Uma alimentação rica em matérias gordas (20% em BOXER 26) ajuda a preservar as reservas musculares de glicogénio* cuja carência corresponde ao aparecimento de sinais de fadiga no cão. O animal dispõe assim de mais energia disponível quando tem de realizar um último esforço intenso após uma sessão de exercício prolongado.

Influência do teor em matérias gordas do alimento sobre a capacidade de produção de energia das células musculares a partir dos ácidos gordos
Estudo realizado em cães treinados durante 3 meses e alimentados com cada um dos regimes nutricionais, antes de se proceder às medições (Reynolds & Taylor, 1996)

*Os glúcidos representam 65% da energia metabolizável
** Os lípidos representam 65% da energia metabolizável

O volume das mitocôndrias traduz a capacidade que a célula possui para oxidar os ácidos gordos a fim de produzir energia em condições aeróbias. Um regime rico em matérias gordas aumenta a capacidade do organismo para “queimar” gorduras. Quando se retoma um regime nutricional rico em glúcidos, é constatável o retorno aos valores iniciais.

O cão tolera muito melhor que o Homem um nível elevado de matérias gordas. Graças a uma alimentação rica em lípidos, a performance desportiva do animal, a resistência (Grandjean, 1983; Reynolds, 1998), e a velocidade (Hill & coll, 2000) melhoram simultaneamente. Um regime alimentar rico em matérias gordas redimensiona o principal limite em termos de esforço de resistência: a quantidade de oxigénio utilizável pelo organismo.
Quando as matérias gordas representam 65% da energia metabolizável, o consumo máximo de oxigénio (VO2 max), um dos parâmetros utilizados para medir a resistência ao esforço, aumenta 40% (Reynolds & Taylor, 1996).

A natureza dos ácidos gordos da alimentação também influencia a performance desportiva.

- Os ácidos gordos insaturados Ómega 6 obtidos a partir de óleos vegetais melhoram a permeabilidade das membranas celulares e facilitam a passagem dos elementos nutritivos do sangue para as células.

- Os ácidos gordos insaturados Ómega 3 extraídos dos óleos de peixe aumentam a fluidez das membranas dos glóbulos vermelhos. A sua maior fluidez favorece a oxigenação dos tecidos.

É importante respeitar o correcto equilíbrio entre os ácidos gordos insaturados Ómega 6 e Ómega 3, o que é conseguido através de uma mistura equilibrada de fontes de matérias gordas (gordura de aves, óleo de peixe, óleo de soja).

Por último, um cão desportivo como o Boxer necessita de energia que esteja rapidamente disponível: é importante fornecer ácidos gordos de cadeia curta ou média (AGCC)* que não requeiram uma acção emulsionante por parte dos sais biliares para poderem ser utilizados pelas enzimas digestivas. Como tal, a sua digestão é mais rápida do que a das gorduras constituídas por ácidos gordos de cadeia longa (gordura de bovino, gordura de aves …).
Os AGCC são pouco incorporados no tecido adiposo: a componente essencial de energia é utilizada pelo trabalho muscular. Finalmente, estes ácidos não requerem a utilização de L-carnitina para posterior oxidação pelas células musculares.
Este conjunto de propriedades é vantajoso na alimentação de um cão de desporto para optimizar as suas performances físicas.

Os ácidos gordos de cadeia curta (AGCC) e média existem sob uma forma concentrada no óleo de copra extraído do coco.

2º Objectivo: Facilitar a utilização dos ácidos gordos graças à L-carnitina

A L-carnitina é um aminoácido particular: trata-se do único transportador de ácidos gordos de cadeia longa para uma componente celular, a mitocôndria, local onde são oxidados para produção de energia. No cão, 95 % da carnitina concentra-se no coração e nos músculos.

Tanto no ser humano como nos animais, os níveis de L-carnitina sanguínea diminuem nitidamente nos 30 minutos seguintes a um esforço físico importante (Harichaux & coll, 1994). A carnitina é sintetizada no fígado mas quanto mais activo for o animal, mais essa via de aprovisionamento corre o risco de se tornar limitativa. Uma contribuição suplementar está assim aconselhada para favorecer a reposição das reservas. Quando o nível de carnitina aumenta na alimentação, a sua concentração sérica regressa mais rapidamente ao nível normal.

Ao favorecer a utilização dos ácidos gordos, a L-carnitina ajuda a limitar a acumulação de tecido adiposo e permite uma melhor preservação da massa muscular muito importante no Boxer. A L-carnitina é classicamente utilizada nos regimes de emagrecimento para acelerar a perda de peso preservando simultaneamente a massa magra corporal (Allen, 1998).

3º Objectivo: Assegurar a renovação das células musculares

As proteínas desempenham um papel fundamental na renovação tecidular. Quanto maior for o stress físico ou psíquico, mais se acelerará a produção celular. Em situações de esforço, 5 a 15% da energia utilizada é de origem proteica. Contudo, o cão não dispõe de quaisquer reservas de proteínas, com excepção dos músculos. Para evitar que o organismo tenha de recorrer às proteínas musculares, é indispensável reforçar a contribuição proteica.

Um teor proteico insuficiente traduz-se em consequências dramáticas para a saúde do cão: anemia, má qualidade da pelagem, diminuição das defesas imunitárias e perda de massa muscular.

Em contrapartida, a melhoria quantitativa e qualitativa do aporte proteico num cão de desporto permite melhorar as performances e reduzir o risco de lesões musculares ou tendinosas (Reynolds & coll, 1999).

Efeito do teor proteico sobre as performances de 32 cães após 12 semanas de treino em corridas de resistência
(Reynolds & coll, 1999)

O consumo máximo de oxigénio (VO2 max) é um marcador da resistência, que aumenta significativamente quando o teor proteico sobe de 18 para 23% (BOXER 26 : 25 % das calorias são de origem proteica). Um nível proteico demasiado baixo (≤18 %) está correlacionado com o risco de lesões musculares ou tendinosas graves durante a prática de exercício.

4º Objectivo: Preservar as articulações através da incorporação de condroprotectores

Após os 7 anos de idade, aproximadamente 40% dos cães de grande porte sofrem de artrose (Deeb & Wolf, 1994), nomeadamente os animais com displasia, osteocondrose, ou que tenham praticado uma actividade física prematuramente ou de forma demasiado intensa, originando microtraumatismos repetidos nas cartilagens articulares. Uma contribuição nutricional precoce e regular de componentes naturais da cartilagem, glucosamina e sulfato de condroitina, pode retardar a evolução das lesões osteoarticulares, limitando assim o recurso a tratamentos anti-inflamatórios.

A administração oral proporciona a rápida obtenção de concentrações activas de glucosamina e de condroitina ao nível das cartilagens articulares e do líquido sinovial que envolve as articulações (Mc Namara & coll, 1997). A glucosamina e a condroitina são desde há muito utilizadas em medicina desportiva humana e veterinária, assim como no tratamento da artrose. A eficácia destas substâncias aumenta quando são administradas de forma preventiva: quanto mais cedo forem incorporadas na alimentação, maiores serão as hipóteses de preservar a saúde das articulações (Todhunter & Lust , 1994).

Lesão das cartilagens articulares

Quando a cartilagem é lesada, ocorre uma secreção excessiva de enzimas, que por sua vez vão desorganizar os proteoglicanos, moléculas de grandes dimensões que asseguram a elasticidade da cartilagem.

Quem pensar em adquirir um cão, deve ler...

"Como é que pudeste?..."

Quando era um cachorrinho, eu distraía-te com as minhas traquinices e fazia-te rir.
Chamavas-me tua criança e, apesar de um certo número de sapatos mastigados e um par de almofadas destruídas, eu tornei-me na tua melhor amiga.
Sempre que eu fazia algo de errado, tu abanavas o teu dedo para mim e dizias: "Como é que pudeste?..." mas depois tu arrependias-te e rolavas-me no chão para me coçar a barriga. O meu treino demorou um pouco mais do que o esperado porque tu estavas sempre muito ocupado, mas juntos conseguimos arranjar uma solução...
Eu lembro-me daquelas noites em que me aninhava em ti na cama e ouvia as tuas confidências e sonhos secretos - acreditava que a vida não poderia ser mais perfeita. Nós os dois fazíamos longos passeios e corridas no parque, andávamos de carro, e parávamos para um gelado (eu ganhava só a bolachinha porque "gelado não faz bem aos cães" - dizias tu) e eu apanhava longos banhos de sol enquanto aguardava a tua volta para casa ao final do dia.
Aos poucos passaste a gastar mais tempo no trabalho com a tua carreira e levavas mais tempo a procurar uma companheira humana. Eu esperei por ti pacientemente, confortei todas as tuas mágoas e desilusões, nunca te repreendi pelas más escolhas que tomaste, e vibrei de alegria nas tuas chegadas a casa e quando te apaixonaste... Ela, agora tua esposa, não é uma "apreciadora de cães" - ainda assim eu recebi-a na nossa casa, tentei mostrar-lhe afeição, e obedeci-lhe.
Sentia-me feliz porque tu estavas feliz.
Então vieram os bebés humanos e eu reparti contigo o entusiasmo. Eu estava fascinada pelos seus tons rosados, os seus cheiros, e queria muito tratar deles também. Mas ela e tu tinham medo de que eu pudesse magoá-los, e eu passei a maior parte do tempo a ser expulsa para outra sala, ou para a minha casotinha...
Oh, como eu queria tê-los amado, mas eu tornei-me numa "prisioneira do amor."
À medida que foram crescendo, tornei-me amiga deles. Eles agarravam-se ao meu pêlo e levantavam-se sobre perninhas trôpegas, enfiavam os dedos nos meus olhos, examinavam as minhas orelhas, e davam beijos no meu nariz. Eu adorava isso tudo, e o toque das suas mãozinhas - porque os teus toques agora eram tão raros - e eu teria-os defendido com a minha própria vida, se fosse preciso. Eu esgueirava-me para as suas camas e juntos esperávamos pelo barulho do teu carro de regresso.
Houve uma altura, quando alguém perguntava se tinhas um cachorro, em que tu tiravas uma foto minha da tua carteira e contavas histórias sobre mim. Nos últimos anos tu apenas respondias "sim" e mudavas de assunto. Eu passei de "teu cão" para "apenas um cão" e tu reclamavas de cada gasto que tinhas comigo.
Agora tu tens uma nova oportunidade de carreira noutra cidade, e vocês irão mudar-se para um apartamento onde não são permitidos animais. Tu tomaste a decisão acertada para a tua "família", mas houve uma altura em que eu era a tua única família.
Fiquei excitada com o passeio de carro até que chegámos ao canil. O local tinha cheiro de gatos e cães, de medo, de desespero. Tu preencheste a papelada e disseste "Sei que vocês encontrarão um bom lar para ela"... Eles mexeram os ombros e lançaram-te um olhar compadecido. Eles compreendem a realidade que espera um cão de meia-idade, mesmo um com "papéis". Tu tiveste que libertar os dedos do teu filho da minha coleira enquanto ele gritava "Não, papá! Por favor, não deixes que levem o meu cão!". E eu preocupei-me por ele, e com a lição que tu tinhas acabado de lhe dar sobre amizade e lealdade, sobre amor e responsabilidade, e sobre respeito por todo o tipo de vida. Tu deste-me um mimo de adeus na minha cabeça, evitaste o meu olhar e, educadamente, recusaste levar a minha coleira e trela contigo. Tu tinhas um tempo-limite para te habituares e agora eu também tenho um.
Depois de partires, as duas simpáticas senhoras que te atenderam comentaram que tu provavelmente sabias já com alguns meses de antecedência que terias de tomar aquela decisão e não fizeste nenhuma tentativa de encontrar um novo lar para mim. Elas sacudiram a cabeça e disseram "Como é que pudeste?". Elas são tão atenciosas para nós aqui no canil, quanto os seus ocupados horários lhes permitem.
Elas alimentam-nos, claro, mas eu perdi o meu apetite à dias atrás. De início, sempre que alguém passava pelo meu alojamento, eu corria para a frente, na esperança de que fosses tu - que tivesses mudado de ideias - que isto fosse tudo um pesadelo.... ou eu esperava que ao menos fosse alguém que se importasse, alguém que me pudesse salvar. Quando percebi que não poderia competir com os alegres cachorrinhos que lá estavam, inconscientes dos seus próprios destinos, nas brincadeiras para chamar a atenção, afastei-me para um canto distante, e aguardei.
Ouvi os seus passos quando ele veio até mim ao final do dia, e segui-o ao longo do corredor para uma sala separada. Uma sala deliciosamente silenciosa. Ele colocou-me sobre a mesa, acariciou as minhas orelhas, e disse-me para eu não me preocupar. O meu coração acelerou-se na expectativa do que estava para vir, mas havia também uma sensação de alívio. A prisioneira do amor tinha esgotado os seus dias.
Como é da minha natureza, estava mais preocupada com ele. O fardo que carrega é demasiado pesado, e eu sei disso, da mesma maneira que conhecia cada um de seus humores. Ele gentilmente colocou um torniquete à volta da minha perna da frente, enquanto uma lágrima corria pela sua face. Lambi a sua mão da mesma maneira que costumava fazer para confortar-te há tantos anos atrás. Ele habilmente espetou a agulha hipodérmica na minha veia. Quando senti a picada e o líquido frio se espalhou através do meu corpo, deitei a cabeça sonolenta, olhei para dentro dos teus olhos gentis e murmurei "Como é que pudeste?".
Talvez por ter entendido o meu latido canino, ele disse "Sinto muito!", abraçou-me e apressadamente explicou que era o seu trabalho, fazer com que eu fosse para um lugar melhor onde não seria ignorada, ou maltratada ou abandonada, nem ter que me desenrascar para sobreviver - um lugar de amor e luz, tão diferente deste lugar terrestre. E com a minha última gota de energia tentei transmitir-lhe com uma sacudidela da minha cauda que o meu "Como é que pudeste?" não era dirigido a ele.
Era em ti, Meu Amado Dono, que eu estava a pensar. Pensarei em ti e esperarei por ti eternamente. Possa alguém na tua vida continuar a demonstrar-te tanta lealdade...

fonte do texto - ABRA - Associação Bracarense Amigos dos Animais